PRODUTORES BUSCAM SOLUÇÃO PARA A CRISE INTERNACIONAL DO CAFÉ

Confira abaixo, a declaração feita ontem (26) por representantes
de 35 países produtores de café de Nairóbi, no Quênia, na qual solicitam
urgentemente a todos os membros da cadeia cafeeira que ajam de maneira rápida e
responsável na solução da atual crise internacional dos preços do café, que
estão devastando comunidades inteiras de produtores do grão em todo o planeta.

Em relação à Colômbia, participaram dessa importante reunião
José Eliecer Sierra (atual presidente do Conselho de Administração e Produtores
Nacionais de Café), representando Antioquia; e José Alirio Barreto, de Boyacá;
e Eugenio Vélez Uribe, de Caldas.

Declaração do grupo
de coordenação do Fórum Mundial de Produtores de Café

A atual crise social e econômica, criada pelos preços
internacionais do café extremamente baixos, chegou a um ponto em que a cadeia
de valor do café como um todo não pode continuar falando sobre isso sem tomar
medidas sérias e imediatas.

Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), cerca de
25 milhões de famílias, em sua maioria pequenos produtores, produzem café no
mundo. Hoje em dia, a maioria deles não consegue sequer cobrir seus custos de
produção e muitos não conseguem nem mesmo ganhar a vida para si e para suas
famílias.

O mundo consome 1,4 bilhão de xícaras de café por dia e os
consumidores pagam preços muito altos por eles (US$ 3,12, nos Estados Unidos;
US$ 4,60, em Xangai; e até US $ 6,24, em Copenhague, em 2018). Em muitos casos,
os preços são alcançados com a promessa de que o café é sustentável. No entanto,
a promessa de sustentabilidade geralmente se concentra apenas em dois de seus
três aspectos: ambiental e social. A sustentabilidade econômica, a própria
renda dos cafeicultores, tem sido negligenciada pela cadeia de valor do café
sob a premissa de que “o mercado é o mercado” e devemos deixá-lo
governar.

O atual contrato “C” foi criado como referência de
preços para uma cesta de cafés arábicas suaves de qualidade similar, conhecida
como “Centrais”. Hoje, com várias mudanças introduzidas ao longo do
tempo, é amplamente reconhecido que o preço baseado no contrato futuro
“C” não cobre os custos de produção para a maioria dos produtores,
devido a vários fatores, que incluem a especulação de fundos de cobertura, que
não entendem ou não se importam com o café.

Em 1982, o preço do café flutuou entre US$ 1,18 e US$ 1,41
no mercado internacional, e uma xícara de café ficou em US$ 1,10 nos Estados
Unidos. Em 2018, o preço médio de um quilo de café arábica no mercado
internacional foi em média de US$ 1,01. Em 22 de março de 2019, o preço ficou
abaixo de US$ 0,95. Os produtores de café perderam mais de 80% de sua
capacidade de compra nas últimas décadas.

O atual processo de empobrecimento dos cafeicultores está
destruindo o tecido social nas áreas rurais de mais de 40 países da África,
Ásia e América Latina, levando a um aumento do crime nas naçoes produtoras, a
uma maior pobreza nas cidades e migraçoes em massa para os Estados Unidos e
Europa. Em alguns países, a crise atual se tornou um incentivo para mudar para
cultivos ilegais, porque os agricultores não podem viver apenas do café.

Qualidade e disponibilidade também estão ameaçadas.
Produtores que ficam no café não poderão pagar pelo cuidado adequado de suas
fazendas e de seu produto, o que leva à fertilização e ao cuidado inadequados
das árvores, afetando a qualidade e privando os consumidores da diversidade que
eles desfrutam hoje em dia. A adaptação e mitigação dos efeitos da mudança
climática são outros encargos que recaem sobre os ombros dos produtores.

Os países produtores e outros membros estão preocupados com
o fato de que o contrato “C” de hoje não é o mecanismo correto para
descobrir o preço e que, ao permitir o empobrecimento dos produtores, o setor
cafeeiro está arriscando seu próprio futuro.

A atual crise de sustentabilidade econômica dos produtores
de café deve ser tratada imediatamente antes que se torne uma crise
humanitária. Deve ser implementada uma abordagem baseada no princípio de
corresponsabilidade e total transparência para assegurar que todos os elos da
cadeia de valor sejam lucrativos e saudáveis. Se para ter uma grande bebida é
necessário ser à custa da dignidade, do valor ou do bem-estar das pessoas e da
terra, não pode ser realmente um café sustentável. O ICE não pode estar ausente
nesta discussão.

Os produtores de café em todo o mundo têm procurado o resto
da cadeia de valor há anos, com a esperança de uma abordagem coletiva,
construtiva e realista, para garantir a sustentabilidade econômica dos
produtores. A resposta, infelizmente, tem sido muito fraca.

Quando se trata da sustentabilidade econômica dos produtores
de café, fica claro: NÃO AGIR NÃO É UMA OPÇÃO!

(Fonte: Café Point com
informaçoes da Assessoria de Imprensa da Federação Nacional dos Cafeicultores
da Colômbia / Tradução Juliana Santin)