PICÃO-PRETO: SAIBA MAIS SOBRE A ERVA PERSISTENTE NAS LAVOURAS DE CAFÉ
Olha ela aí, presa na borda das calças, espetando as pernas
da gente. É a semente da erva picão-preto, que gruda no tecido, denunciando a
presença dessa planta daninha no meio do cafezal. Ali, ela nasce e vegeta com
prejuízo duplo – concorre com os cafeeiros, em água e nutrientes, e, ainda,
atrapalha nossa caminhada na lavoura.
As pesquisas têm demonstrado que a erva picão-preto possui alto potencial
competitivo, sendo muito eficiente no aproveitamento de água no solo,
especialmente nos períodos de déficit hídrico. Ela apresenta, no mesmo sentido,
boa capacidade de acúmulo de nitrogênio e fósforo, nutrientes importantes para
o cafeeiro.
Em análise da parte aérea de picão foram verificados teores
de nutrientes assim: N= 3,9%, Ca = 1,1%, P=0,58%, Mg =0,54% e K=3,0%, portanto
níveis bem superiores aos das folhas do cafeeiro, dando ideia da sua boa
capacidade de competição por nutrientes, do solo ou da adubação usada no
cafezal.
A planta de picão, cujo nome cientifico é Bidens pilosa, é
herbácea, de porte erecto, podendo atingir até 1,5 m de altura. Cada planta
pode produzir até 3000 sementes, seu crescimento é rápido, podendo dar até mais
de 3 geraçoes ao ano, assim é encontrada praticamente o ano todo no cafezal.
Pode estar ocorrendo, com plantas de aspecto semelhante, também a espécie
Bidens subalternus.
Como características de sobrevivência, por se tratar de erva daninha,
sobressaem, nas plantas de picão sua rusticidade e agressividade competitiva,
pra isso sendo importantes seu ciclo curto, a grande produção de sementes e sua
dormência no solo por longo período e sua boa capacidade de disseminação,
formando um grande banco de sementes na área da lavoura. Ela, também, possui
substâncias alelopáticas, permitindo reduzir a atividade de outras plantas ao
seu redor. Além disso, pode hospedar nematoides, pulgões, fungos e vírus.
Em seus aspectos positivos, as plantas de picão servem à
alimentação, pelo seu elevado teor de proteína (21% = N x 5,75) e sua atividade
como fitoterápico, sendo prevista sua liberação como planta medicinal pelo
Ministério da Saúde. Nesse particular, se destacam suas propriedades como
anti-hiperglicemica, anti-úlceras, anti-inflamatória, anti-térmica,
anti-cancerigena, antioxidante e anti-microbiana.
No controle do picão-preto no cafezal podem ser usados diferentes sistemas
manual, mecânico e químico. As capinas ou roçadas devem manejar as ervas
visando sua eliminação antes da produção das sementes, sendo o uso de trincha
mais efetivo do que a roçadeira, pois tende a matar a planta, ao invés de
apenas poda-la.
A morte, tanto por corte das plantas, como por herbicidas
mais seletivos ao cafeeiro, é alcançada, de forma mais eficiente, com as ervas
mais jovens. No uso de herbicidas, no geral, nos de pós-emergência, pode-se
empregar tanto o glifosato como os produtos específicos para folhas largas.
Para diminuir o banco de sementes indica-se, em condiçoes de altas populaçoes
da erva, usar, também, herbicida de pré-emergência.
Deve-se passar a prestar atenção ao aspecto de resistência,
pois em outros cultivos, anuais, já se verificou resistência a herbicidas
inibidores de síntese de Acetolactato (ALS), sendo que representante deste
grupo, o Clorimuron, vem sendo usado, mais recentemente, em cafezais.
(Fonte: Café Point)

