O CAFÉ PARECE APENAS SEGUIR O CRB E NÃO QUALQUER FUNDAMENTO
ano, tendo com um dos motivos as “apostas” do FED eventualmente não promover um
outro incremento do custo do dinheiro até o fim do ano
O FOMC (equivalente ao COPOM brasileiro) manteve as taxas de juros inalteradas
nos Estados Unidos mudando muito pouco o comunicado, mas ainda sim indicando
uma continuação no (lento) processo de normalização monetária.
As bolsas continuam segurando a maior parte dos ganhos do
ano, tendo com um dos motivos as “apostas” do FED eventualmente não promover um
outro incremento do custo do dinheiro até o fim do ano.
O índice de volatilidade, VIX, tocou a mínima de vinte e três
anos, reflexo, por exemplo, do S&P500 ter encerrado apenas em quatro
sessões no ano com ganho ou perda de mais de 1% – muito abaixo da média de
oscilaçoes de quase cem anos.
As commodities ensaiaram uma perda no começo da semana, mas
recuperaram e encerraram em alta, parcialmente ajudadas pelo derretimento da
moeda americana (o índice DXY) no meio de crescentes crises internas do
presidente Donald Trump – ou “Donald Duck”, como diz minha filha de três anos,
sem maldade alguma.
O café em Nova Iorque acompanhou o movimento do CRB,
inicialmente dando a impressão que cederia, para então caminhar rumo as máximas
de maio, quando então o “C” tocou os US$ 140.00 centavos por libra-peso. O
robusta em Londres ganhou tração mas cedeu levemente nos últimos cinco dias
levando a arbitragem contra o arábica para US$ 40.00 centavos por libra.
Fundamentalmente o quadro quase não se alterou para
justificar as oscilaçoes do terminal, e isto tem sido verdade tanto para a
baixa dos US$ 115.50 centavos como os atuais US$ 138.90 centavos, o que
significa dizer que a bolsa tem se comportado basicamente simulando o vai e vem
do índice CRB.
Assumindo isto como verdade podemos então dizer que o
mercado futuro não refletiu qualquer expectativa da potencial super-safra 18/19
brasileira, como alguns possam sugerir, e tão pouco os diferenciais historicamente
caros do Brasil, não é?
Na verdade, é impossível traçar estas suposiçoes, mas vale
como exercício para compor a análise de diferentes cenários. Se a queda
acentuada de junho teve fixaçoes, ou antecipaçoes de vendas do esperado
superávit de 18/19 e o mercado conseguiu recuperar US$ 24.00 centavos desde
então, as chances de vermos um terminal beirando US$ 1 dólar diminuem. Já se
nada relacionado a expectativa da “grande safra brasileira” está no preço,
eventualmente uma florada linda e estoques que teimam em não cair no destino
podem ser bem negativos e limitar a janela de uma alta.
A limitação que menciono é em termos de timing, pois em
teoria em outubro, ou em pouco mais de dois meses, estaremos no momento que
diversos participantes acreditam que qualquer “retenção” de venda que esteja
existindo por parte dos produtores deverá diminuir – leia-se: as ofertas serão
mais francas.
O noticiário internacional tem divulgado as preocupaçoes
sobre broca, cafés menos graúdos e também o rendimento mais baixo da safra que
está acabando de ser colhida no Brasil, mas por ora não tem ninguém comprando
estes “problemas” – o que pode ser bem positivo para o café, caso se confirmem.
O mês de agosto é um dos mais lentos de comercialização na
Europa e Estados Unidos, dado que muitos saem de férias. A procura no FOB tem
sido ligeiramente melhor, talvez em função disto mesmo, colocar algo no livro
antes dos traders viajarem com suas famílias.
As exportaçoes brasileiras pelo andar da carruagem devem ser
ainda mais baixas em julho, mas por outro lado os estoques parecem que não
cederão, como temos visto os certificados da ICE incrementando.
O relatório do Commitments of Traders mostrou os fundos liquidando
9,758 lotes da posição bruta-vendida, bastante para um mercado que caiu US$
4.30 centavos no período reportado. Os comprados também diminuíram suas apostas
na alta, aí sim justificado pela baixa. Os comerciais, participantes envolvidos
com o mercado físico, venderam 920 mil sacas (3,247 lotes) e liquidaram 855 mil
sacas (3,016 lotes), também demonstrando uma postura menos positiva aos preços.
O fechamento da semana, entretanto, foi tecnicamente
bastante positivo com o rompimento e manutenção acima da média-móvel de cem
dias e acima de uma linha de alta bem inclinada. Uma continuação de compras de
commodities dará uma ajuda aos altistas para forçar mais liquidação da posição
vendida dos fundos.
Aos que precisam vender café é uma boa oportunidade para
aproveitarem o movimento, pois uma reversão pode acontecer a qualquer momento e
mesmo que os preços não sejam os almejados não custa lembrar que desde novembro
de 2016, quando Nova Iorque foi a US$ 180 centavos, os altistas têm aguardado
um retorno ao nível, o que não aconteceu e tem custado bastante dinheiro a
muitos.
(Fonte: Revista Cafeicultura)

