MANEJO DO CAPIM BRAQUIÁRIA COMO PLANTA DE COBERTURA EM CAFEEIROS

O mato nas entrelinhas do cafeeiro é um problema constante
para o cafeicultor, devido a competição deste por nutrientes, espaço, luz e
água, podendo assim acarretar em grandes prejuízos. Essas plantas possuem maior
habilidade competitiva quando comparada às plantas de cafeeiro, apresentando
maior crescimento, assimilação de nutrientes, desenvolvimento em condiçoes
climáticas adversas e aproveitamento de água. Por isso, em lavouras sem o
manejo das plantas daninhas há competição com o cafeeiro, acarretando em perdas
de produtividade, e em alguns casos mais severos pode ocorrer até a morte de
plantas da lavoura.

Há algum tempo, muitos produtores tinham preferência por
manter suas lavouras sempre “no limpo”, deixando o solo exposto, sem nenhum
mato. Entretanto, hoje o capim braquiária tem sido manejado na entrelinha do
cafeeiro, facilitando os tratos culturais e trazendo muitos benefícios. O que
antes era manejado como uma planta daninha e visto como um vilão pelos
produtores, hoje tornou-se um grande aliado do produtor.

Tipos de braquiária

Existem diferentes espécies de braquiária que podem ser
utilizadas nesse manejo com o cafeeiro, cada uma com características
especificas. As mais comuns são: Urochloa brizantha (braquiarão), Urochloa
decumbens (braquiarinha) e Urochloa ruziziensis.

A Urochloa brizantha, possui um hábito entouceirado, por
isso, ela não cobre totalmente o terreno. Aliado a isto, possui grande
habilidade supressiva e também grande produção por área, acarretando assim em
desvantagens para as plantas de cafeeiro. Sendo assim, não é recomendada para o
uso em consórcio com o cafeeiro.

A Urochloa decumbens, apesar de formar touceiras, apresenta
uma cobertura do solo melhor que o braquiarão. Esta espécie é a mais rústica,
por isso, ela apresenta maior tolerância em condiçoes adversas e roçadas
periódicas, por isso é a mais utilizada pelos produtores no campo. Também,
possui maior rusticidade quanto a sua permanência nos períodos frios, e seu
rebrote no início do verão é mais acelerado. Possui relação C/N menor, ou seja,
sua decomposição é mais lenta.

Já a Urochloa ruziziensis, é a que menos entouceira e
apresenta uma melhor cobertura do terreno, sendo a espécie mais recomendada
pelos técnicos, entretanto, é a que apresenta maior dificuldade de formação,
tornando difícil o seu manejo. No inverno os índices vegetativos são muito
baixos e muitas vezes ocorre a morte desta gramínea. Possui relação C/N maior,
ou seja, sua decomposição é mais rápida.

Vantagens       

A utilização do capim braquiária traz muitos benefícios,
tanto para as plantas como para a proteção do solo, sendo amplamente desejada
sua utilização. Na entrelinha do cafeeiro, o manejo com a braquiária
proporciona maior proteção do solo, contra impactos da gota da chuva
diretamente no solo que podem ocasionar erosões.

Da mesma maneira, os restos culturais da gramínea que são
depositados na linha do cafeeiro também oferece proteção e reduz a amplitude
térmica do solo. Além disso, a palhada proporciona um aumento no teor de
matéria orgânica, com maior retenção de água, que é de grande importância para
as plantas.

Devido a sua capacidade de penetração no solo, o capim
braquiária consegue atingir grandes profundidades, dessa forma “buscando” os
nutrientes nas camadas mais profundas e disponibilizando-os para o cafeeiro por
meio da ciclagem de sua palhada. Outro benefício são os poros formados após a
degradação das raízes, que serão utilizados para maior infiltração de água no
solo, que é muito desejável.

Pode atuar também inibindo algumas plantas daninhas, ou
mesmo servindo de hospedeira de inimigos naturais, de pragas que causam danos
ao cafeeiro. Além disso, em cafeeiros jovens pode servir como quebra ventos,
dessa forma, protegendo as plantas.

Desvantagens

Alguns pesquisadores condenam esse manejo, citando que o
capim braquiária irá competir com o cafeeiro por nutrientes. Contudo, isso
ocorre se a braquiária for mal manejada, podendo dessa forma competir com o
café. Por isso, é importante fazer um bom manejo, deixando o cafeeiro sem
interferência do mato.

Apesar de não ser muito caro, alguns cafeicultores tem o
custo de implantação como um entrave do sistema, pois por hectare o custo varia
entre R$ 200,00 e R$ 300,00, apenas para aquisição de sementes. Aliado a este
custo tem-se também a semeadura e custos adicionais com adubação da gramínea.

Manejo do mato

A utilização do manejo do cafeeiro com o capim braquiária
pode se tornar um aliado, entretanto, seu manejo deve ser feito corretamente,
salientando a importância da linha do cafeeiro estar sempre no limpo, por meio
da utilização de capina manual ou herbicidas. A distância mínima utilizada
entre a linha do cafeeiro e a braquiária é de 1 m segundo Souza (2006), com o
intuito das plantas de café ficarem livres da interferência do capim
braquiária. 

O manejo na entrelinha pode ser feito com roçadas em todas
as ruas ou roçadas em linhas alternadas, de acordo com a idade ou condução da
lavoura. Para o corte da gramínea, já existe no mercado as roçadoras ecológicas,
que cortam a braquiária e em seguida jogam a palhada para baixo da “saia do
café”.

Entretanto, em áreas sujeitas a ocorrência de geada, o
manejo com o capim braquiária não é tão recomendado, devido a sua ação
diminuindo a temperatura do solo, que pode agravar a ocorrência desse fenômeno.

Portanto, a utilização do capim braquiária na entrelinha do
cafeeiro traz muitos benefícios para lavoura, tanto no solo, quanto para a
planta de cafeeiro. Sua utilização é possível para produtores pequenos, médios
ou grandes, desde que bem manejada, pois a mesma oferece muitos benefícios ao
cafeeiro.

Maurício Antônio de Paula Santos

Brener Lorenzon Botega

Artur José Lima Guedes

Joana Caroline D’arc de Oliveira

Graduandos em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras
– UFLA.

(Fonte: Café Point)