EXPORTAÇÃO DE CAFÉ DO BRASIL CAI 10,6% EM MARÇO; CEPEA VÊ LEVE ATRASO NA COLHEITA
A exportação de café verde do Brasil em março caiu 10,6 por
cento na comparação anual, para 2,195 milhões de sacas, o desempenho mais fraco
para o mês em seis anos, informou nesta quarta-feira o Conselho dos
Exportadores de Café do país (Cecafé).
Os embarques mais baixos refletem a intenção de venda de
alguns produtores, que preferem aguardar melhores preços, e estoques menores
antes da colheita da nova safra, que deve ser recorde em 2018.
Considerando o café industrializado, as exportaçoes somaram
2,5 milhões de sacas de café, com receita cambial de 396,2 milhões de dólares.
O volume total de café exportado teve uma queda de 11 por
cento em relação ao mesmo mês do ano de 2017, embora tenha apresentado
crescimento de 1 por cento se comparado a fevereiro, ressaltou o Cecafé.
“No mês de março, tivemos uma boa exportação, acima dos
2,5 milhões de sacas, configurando um desempenho justo, alinhado ao que
havíamos previsto. O mercado está otimista e já de olho na próxima safra devido
às boas condiçoes climáticas nas regiões produtoras”, disse o presidente
do Cecafé, Nelson Carvalhaes, em nota.
Já no acumulado do ano civil (de janeiro a março de 2018), o
Brasil registrou um total de 7,74 milhões de sacas exportadas, queda de 4,1 por
cento na comparação com o mesmo período do ano passado.
Do total embarcado de café verde, 2,132 milhões de sacas
foram de arábica (queda de 12,5 por cento) e 62,80 mil sacas de robusta (mais
204,5 por cento) –neste último caso, reflexo de uma base baixa de comparação,
já que em março do ano passado o setor ainda sentia os efeitos de uma severa
seca em áreas produtoras do país.
AGUARDANDO
Em análise nesta terça-feira, o Centro de Estudos Avançados
em Economia Aplicada (Cepea) afirmou que há um leve atraso da colheita da safra
2018/19 de robusta no Brasil.
“Em Rondônia, além do alto percentual de grãos verdes,
as chuvas das últimas semanas têm dificultado o andamento da colheita do
robusta. Segundo colaboradores do Cepea, menos de 5 por cento da safra foi colhida
no Estado. No Espírito Santo, o clima segue favorável às lavouras”,
observou o Cepea.
Para as regiões de arábica, o desenvolvimento da safra segue
sem problemas, com o clima auxiliando a preparação da colheita e também a fase
final de desenvolvimento da lavoura, disse o centro.
Segundo colaboradores do Cepea, novos grãos de arábica devem
chegar ao mercado ainda em maio, especialmente os cafés da Zona da Mata
Mineira, onde alguns agentes consultados pelo Cepea acreditam que a colheita
deve ser iniciada ainda no final de abril.
Para o restante das regiões, os trabalhos no campo devem ser
concentrados em maio e junho, segundo análise publicada nesta terça-feira.
O centro de estudos da Universidade de São Paulo afirmou
ainda que algumas indústrias de torrefação nacional que estão com estoques mais
enxutos voltaram a comprar lotes do grão spot.
“Já do lado vendedor muitos produtores estão mais
capitalizados neste ano e, com o início da colheita no Espírito Santo
programada efetivamente apenas para maio, preferem aguardar uma valorização
mais expressiva para comercializar o café remanescente.”
(Fonte: Notícias Agrícolas)

