SAFRA BRASILEIRA É INFERIOR AO QUE PRECISAMOS
À medida que avançam os trabalhos de colheita e benefício da
nova safra brasileira de café 2017/2018, já passaram dos 60% e em algumas
regiões estão chegando aos 70%, vão se acumulando informaçoes sobre produção
menor que a esperada, forte incidência de grãos brocados – um problema que até
a proibição do uso do inseticida e acaricida organoclorado “endosulfan” os
cafeicultores brasileiros haviam praticamente eliminado – menos quantidade de
cafésconsiderados “gourmet” e baixa porcentagem de peneiras 17 e 18.
Esse quadro vai se consolidando no pior período possível para o mercado de
café. Com o consumo mundial em alta e o do Brasil mostrando um desempenho
extraordinário – nosso consumo interno não caiu apesar de desde 2015 estarmos
enfrentando a pior crise econômica e financeira dos últimos cem anos – a nova
safra brasileira é inferior ao que precisamos como maior exportador e segundo
consumidor do mundo. Os estoques oficiais brasileiros estão zerados e os
privados, de passagem, em final de junho quando terminou o ano safra 2016/2017,
certamente são dos menores, senão o menor de nossa história.
Outro fator que embaralha as análises é a aplicação cada vez
mais difícil dos grãos brocados, tanto nas exportaçoes como no consumo interno.
Os “furos” nos grãos são a cada ano mais recusados no exterior pelo medo que a
água que esses “furos” possam conter facilite o aparecimento de ocratoxina A
(OTA), uma micotoxina pouco usual nos cafés brasileiros. Em nosso consumo
interno, as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para
partículas de insetos no café industrializado são severas, o que tem levado a
Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) a alertar seus associados a
terem cuidado ainda maior na compra da matéria prima.
A colheita brasileira avança e o cenário de escassez e
problemas na qualidade se consolida. Sem condiçoes de continuar com o discurso
de safra brasileira acima de 50 milhões de sacas, os operadores interessados em
manter os preços do café comprimidos procuram desviar a atenção dos analistas
para a próxima safra brasileira 2018, de ciclo alto. Inflam suas estimativas e
falam que será uma super safra. Se o clima cooperar e os produtores tiverem
recursos para cuidar adequadamente de seus cafezais, teremos uma safra maior e
de melhor qualidade.
A realidade é que ano após ano temos tido imprevistos
climáticos e que com os preços praticados atualmente pelo mercado o cafeicultor
não terá recursos, nem estará motivado para investir em sua lavoura. Os custos
de produção sobem e os preços de venda do café só caem. A equação não fecha.
Os novos defensivos são bem mais caros e de aplicação mais difícil, os
combustíveis foram reajustados com impostos maiores e já se fala em aumento da
energia elétrica. Nos preços atuais do café, em safra de ciclo baixo, o repasse
final, manual, nos cafezais custa muito caro e não compensa financeiramente.
Muitos produtores não farão esse repasse e provavelmente teremos incidência de
broca ainda maior na próxima safra. Só
preços melhores, que remunerem adequadamente o cafeicultor, podem ajudar a
termos um cenário mais otimista para o próximo ano.
(Fonte: Café Point)

