DIA DA ÁRVORE: AINDA TEMOS O QUE COMEMORAR?


Ainda crianças, na
escola, aprendemos a comemorar datas especiais, como o Dia do Soldado, Dia do
Índio, Dia da Independência do Brasil e por aí vai. Algumas delas levamos para
o resto de nossas vidas, como os Dias das Mães e dos Pais. Mais uma, em
especial, deveria ser uma data permanente: o Dia da Árvore.

 

A árvore, assim como
a água, é fundamental para a vida humana. Mas parece que o homem ainda não
entendeu essa premissa. O maior símbolo verde do Brasil, a Amazônia, tem um
desmatamento que chega a quase 4 mil k², de acordo com o Imazon. A área
equivale a 13 vezes o tamanho da cidade de Belo Horizonte.  É muito chão, ou melhor, é muito verde que
deixa de fazer parte da paisagem da maior floresta tropical do mundo.

 

Ainda temos o que
comemorar? Infelizmente, a data se tornou mais um momento de reflexão do que de
comemoração. Os dados acima – um entre tantos – nos dá uma mostra do quanto o
homem ainda tem para aprender e a fazer.

 

Vale lembrar as
consequências do desmatamento:

– Destruição da
biodiversidade;

– Genocídio e
etnocídio das naçoes indígenas;

– Erosão e
empobrecimento dos solos;

– Enchente e
assoreamento dos rios;

– Diminuição dos
índices pluviométricos;

– Elevação das
temperaturas;

– Desertificação;

– Proliferação de
pragas e doenças;

– Destruição e
extinção de diferentes espécies (plantas); e

– Progresso dos
processos de erosão.

 

Uma das funçoes das
árvores é a de proteger o solo, para que a água da chuva não passe pelo tronco
e infiltre no subsolo. Elas diminuem a velocidade do escoamento superficial, e
evitam o impacto direto das chuvas no solo e suas raízes ajudam a retê-lo,
evitando a sua desagregação. As consequências da erosão são várias:

 

– Assoreamento de
rios e lagos, como resultado da elevação da sedimentação, que provoca
desequilíbrios nos ecossistemas aquáticos e causar enchentes;

 

– Extinção de
nascentes: o rebaixamento do lençol freático, resultante da menor infiltração
da água das chuvas no subsolo, muitas vezes pode provocar problemas de
abastecimento de água nas cidades e na agricultura;

 

– Diminuição dos
índices pluviométricos e o fim da evapotranspiração. Estima-se que metade das
chuvas caídas sobre as florestas tropicais são resultantes da
evapotranspiração, ou seja, da troca de água da floresta com a atmosfera;

 

– Elevação das
temperaturas locais e regionais, como consequência da maior irradiação de calor
para a atmosfera a partir do solo exposto. Boa parte da energia solar é absorvida
pela floresta para o processo de fotossíntese e evapotranspiração. Sem a
floresta, quase toda essa energia é devolvida para a atmosfera em forma de
calor, elevando as temperaturas médias;

 

– Agravamento dos
processos de desertificação, devido à combinação de todos os fenômenos até
agora descritos: diminuição das chuvas, elevação das temperaturas,
empobrecimento dos solos e, portanto, acentuada diminuição da biodiversidade;

 

– Fim das atividades
extrativas vegetais, muitas vezes de alto valor socioeconômico. É importante
perceber que, muitas vezes, compensa mais, em termos sociais, ambientais e
mesmo econômicos, a preservação da floresta, que pode ser explorada de forma
sustentável, do que sua substituição por outra atividade qualquer;

 

– Proliferação de
pragas e doenças, como resultado de desequilíbrios nas cadeias alimentares.
Algumas espécies, geralmente insetos, antes em nenhuma nocividade, passam a
proliferar exponencialmente com a eliminação de seus predadores, causando
graves prejuízos, principalmente para a agricultura.

 

Além desses impactos
locais e regionais, há também um perigoso impacto em escala global. A queima
das florestas, seja em incêndios criminosos, seja na forma de lenha ou carvão
vegetal, tem colaborado para aumentar a concentração de gás carbônico na
atmosfera. É importante lembrar que esse gás é um dos principais responsáveis
pelo efeito estufa.

 

O momento,
infelizmente, não é para comemorar. Parar o desmatamento é uma questão de
sobrevivência humana.

 

Fica aqui o convite
para uma reflexão: como será o futuro sem árvores?

 

 (Por Eliana Sonja)