“DADOS DIVULGADOS PELO CECAFÉ SÃO PREOCUPANTES”, DIZ EDUARDO CARVALHAES
As exportaçoes de café verde pelo
Brasil caíram 24,2% em setembro, para 2,04 milhões de sacas, de acordo com
informaçoes divulgadas pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Para a surpresa de toda a cadeira produtiva, o volume ficou abaixo dos números
embarcados em agosto, ou seja, o ano deve encerrar com menos de 31 milhões de
sacas exportadas.
Segundo Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, em Santos (SP), os dados
do Cecafé acendem uma luz amarela no mercado, uma vez que todas as pessoas que
trabalham, direta ou indiretamente com o grão, esperavam que as exportaçoes em
setembro fossem superar as sacas embarcadas em agosto: “sabíamos que os
números não seriam recordes, mas não imaginávamos uma queda tão significativa.
Comparado com setembro de 2016, o volume caiu quase 25%”, explicou.
Para o especialista, algumas
questões explicam o cenário, entre elas, os preços praticados pelo café, que
não refletem o custo de produção do cafeicultor e faz com que eles prefiram
guardar a mercadoria, na espera de um aumento nos valores comercializados.
Segundo ele, é como se houvesse um certa resistência e os produtores vendessem
um pouco por mês apenas para quitar algumas despesas.
“As vendas estão devagar, o
mercado está parado. Como os preços estão ruins, produtores aguardam que o
mercado reaja: os defensivos e fertilizantes estão mais caros e menos
eficientes; a energia elétrica e o combustível estão altos. E o que os produtores
veem? O preço cair. É desanimador”, diz Carvalhaes. Para ele, em um
momento onde o consumo interno da bebida está crescendo, os preços atuais não
incentivam os cafeicultores a aumentar a área plantada e investir em qualidade
para atender a demanda.
Além do fator “dinheiro”,
outro ponto que pode justificar a queda do volume exportado em setembro é a
quebra de safra em função da seca. De acordo com o entrevistado, armazéns e
cooperativas afirmaram receber menos café que o normal, diminuindo a oferta do
produto, e agricultores chegaram a comprar café dos vizinhos para atender as
vendas futuras porque não têm café de qualidade disponível.
Para Carvalhaes, em uma situação
hipotética, mesmo que o Brasil exportasse 3 milhões de sacas de café em
outubro, novembro e dezembro, meses onde se costuma ocorrer um pico nos
negócios, ainda assim não chegamos a 31 milhões de sacas embarcadas no ano
civil: “temos que ver o que vai acontecer daqui para frente. Os
exportadores têm que vir com mais vontade ao mercado e contar cada vez menos
com os cafés que compraram. Não adianta eles verem as floradas abrindo e pensar
que a safra 2018 será grande”, finalizou.
(Fonte: Café Point)

