CAFÉ: PARA MANTER LIDERANÇA, BRASIL PRECISA AUMENTAR SAFRA EM 40%

Para manter a atual participação
dominante na safra mundial de café, o Brasil, maior produtor e exportador da
commodity, terá que elevar a produção em cerca de 40%, ou 20 milhões de sacas,
até 2030. A afirmação foi divulgada pelo diretor-executivo da Organização
Internacional do Café (OIC), José Sette, durante a abertura do 25º EnCafé,
evento promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Para fazer a estimativa, o
especialista levou em consideração um crescimento de 2% ao ano na demanda mundial
de café até 2030. Nesse cenário, a produção mundial teria que crescer 49
milhões de sacas até lá: “se o Brasil quiser manter sua parcela de 40% no
mercado global terá de produzir cerca de 20 milhões de sacas a mais até
2030”, disse Sette.

Já em uma visão otimista, de aumento
do consumo de 2,5% ao ano, a produção global teria que crescer 64 milhões de
sacas no período, enquanto numa perspectiva conservadora, de demanda 1% maior
ao ano, a expansão precisaria ser de 23 milhões de sacas.

“Se o Brasil, segundo
consumidor global de café, atrás dos Estados Unidos, produz historicamente 40%
da safra global, sua participação na exportação é um pouco menor, mas
igualmente relevante”, explicou o diretor.

Segundona mais recente estimativa da
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na safra deste ano o Brasil somou
44,77 milhões de sacas de café arábica e conilon, queda de 12,8% na comparação
com 2016.Para 2018, há a expectativa de uma colheita maior, por ser um ciclo de
bienalidade positiva para o arábica, mas a estiagem em setembro e outubro
durante a floração dos cafezais deixou o setor receoso quanto ao potencial
produtivo.

Para Sette, o Brasil tem condiçoes
de elevar a produção nos próximos anos, apesar da área menor, desde que conte
com investimentos e outros tipos de açoes na atividade: “há o desafio da
sustentabilidade econômica, que passa por renda adequada, maior produtividade,
acesso a mercados e transparência, acesso a financiamentos. O importante é
baixar o custo (de produção)”, explicou.
 
Nos últimos 20 anos, a produção de café no Brasil dobrou, apesar de a
área ter caído 39%.

(Fonte: Café Point)