PODA EM SISTEMA SAFRA ZERO É A SALVAÇÃO DA CAFEICULTURA DE MONTANHA

A poda de esqueletamento em cafeeiros, que leva a zerar a
safra baixa, permitindo ter uma safra alta e mais econômica a cada 2 anos, com
certeza é a forma mais racional para alcançar maior competitividade e a própria
sobrevivência da cafeicultura de montanha.

A cafeicultura de montanha no Brasil é composta por cerca de
700 mil ha de cafezais, cultivados em áreas de topografia acidentada, onde a
mecanização normal é impraticável. Com isso, os tratos realizados, em sua maior
parte, de forma manual, vêm exigindo o uso de mão-de-obra em grande quantidade,
onerando os custos de produção.

Várias práticas alternativas têm procurado facilitar os
tratos culturais e a colheita nas lavouras de café de montanha. A abertura de micro-terraços
nas ruas do cafezal e o emprego de derriçadoras motorizadas, de operação
manual, são exemplos de evoluçoes importantes na adaptação do terreno e no
maquinário.

A adaptação na lavoura, entretanto, é a prática que
consideramos essencial para dar base para toda economia na lavoura. Como o
principal fator de uso de mão-de-obra e, consequentemente, na elevação dos
custos, é o trabalho com a colheita e, conhecendo que essa operação é mais cara
em cafeeiros, a maneira de reduzir custos, como temos visto nas pesquisas e na
prática dos cafeicultores, é concentrar a safra a cada 2 anos.

A poda de esqueletamento, ao cortar os ramos laterais,
produtivos, evita ou zera a safra baixa e possibilita uma colheita alta, mais
barata, a cada 2 anos, de quase a mesma quantidade de café que seria colhido
nas duas safras. Ao mesmo tempo, permite economias paralelas aos trabalhos de
colheita. Pode-se economizar, no primeiro ano pós-poda, na adubação.

Pode-se fazer uma colheita com maior vigor, podendo até
quebrar alguns galhos, pois vai-se corta-los na poda em seguida. Pode-se,
ainda, aproveitar a própria poda dos ramos para efetuar a colheita dos frutos
desses ramos após a poda. Por isso tudo, os técnicos de AT e os cafeicultores
das montanhas precisam adotar mais o sistema de poda para safra zero, como, aliás, já vem
ocorrendo em grande escala nas áreas planas.

É muito evidente que este sistema é ainda mais adequado às
lavouras onde não se pode mecanizar. Ali a poda de esqueletamento é, sem
duvidas, a “salvação da lavoura”.

(Fonte: Café Point)