CLIMA INDICA UMA SAFRA DE CAFÉ COM QUALIDADE NO BRASIL, DIZ ABIC
Mais do que uma safra recorde de café, a colheita do Brasil
a caminho em 2018 deve apresentar grãos com boa qualidade, favorecidos pelas
condiçoes climáticas até o momento, disse o presidente da Associação Brasileira
da Indústria de Café (Abic), nesta terça-feira.
“Mais importante que a quantidade é a qualidade. Está
vindo uma safra com qualidade… Tudo ajudou, choveu na época certa, na
quantidade certa”, declarou Ricardo Silveira, antes do início do evento da
Abic que marcou a 14ª edição dos Melhores Cafés do Brasil, da safra 2017.
“O que era da mão de Deus, Ele ajudou. Agora é a mão do
homem no processo, envolve a colheita e a secagem dos grãos”, completou
ele.
Para efetivar uma safra de qualidade, cuja colheita está só
começando –intensificando-se a partir de maio e junho, dependendo da região–,
o setor precisaria de tempo seco na época dos trabalhos de campo.
Ele comentou que há produtores colhendo em Rondônia, que se
destaca pela produção de café robusta, e alguns poucos no Cerrado de Minas
Gerais, onde ele atua.
Silveira é produtor de café em Patos de Minas e também dono
da torrefadora Café Cristal.
O cafeicultor lembrou que a Abic não faz projeçoes sobre o
tamanho da safra, e ponderou que os números da Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab) parecem adequados.
Em seu primeiro levantamento para a temporada deste ano,
divulgado em janeiro, a Conab estimou a produção cafeeira do país, maior
produtor e exportador mundial, entre 54,44 milhões e 58,51 milhões de sacas de
60 quilos, alta de 21 a 30 por cento sobre 2017 e superior também ao recorde
anterior, de 51,37 milhões de sacas, registrado em 2016.
Além de um aumento de até 30 por cento na produção de café
arábica, que está no ano de alta do ciclo bianual, a safra de robusta (conilon)
também pode saltar na mesma proporção, segundo a Conab, com uma recuperação das
lavouras após anos de seca, especialmente no Espírito Santo.
Isso pode permitir que a indústria de torrado e moído eleve
a utilização de robusta (mais barato que o arábica) no “blend”, disse
ele, ao ser questionado.
“É natural que aumente o percentual do conilon, mas
nada que seja grande. A indústria aprendeu e não vai mudar muito, pois quando
faltou (conilon) e teve dificuldade”, disse ele, em referência ao período
de seca severa que reduziu a safra brasileira do conilon há alguns anos, que
levou até a pedidos do setor para liberação da importação do café verde.
Ele explicou também que é um problema alterar muito a
composição do “blend”, pois o consumidor percebe e pode mudar de
marca.
No passado, o uso do conilon na composição do torrado e
moído variou de 20 a até 50 por cento, comentou Silveira.
O conilon é mais utilizado na fabricação de produção de café
solúvel.
APROXIMAR O SETOR
Silveira disse que a associação está com iniciativas para
ampliar o número de pequenos torrefadores na Abic, com foco em valorizar a
fabricação café de boa qualidade.
Entre as açoes está a redução da mensalidade na Abic em
quase pela metade para atrair as pequenas empresas.
No lado da produção de café, a associação que está
completando 45 anos em 2018 tem realizado concursos para estimular
cafeicultores a investirem em grãos de melhor qualidade e maior valor agregado,
cujo consumo está crescente, muito mais do que a demanda geral por café no
Brasil.
“Buscamos aproximar os elos da cadeia”, disse ele,
antes do início do concurso que reuniu grandes torrefadores, como o líder no
país 3coraçoes, e produtores de café de alta qualidade vencedores do concurso
promovido pela Abic.
(Fonte: Notícias Agrícolas)

