VARIEDADES E PODAS PODEM MINIMIZAR EFEITOS DE STRESS HÍDRICO EM CAFEEIROS
Por José Braz Matiello, Pesquisador Fundação Procafé
As observaçoes de campo mostram que em regiões cafeeiras
mais sujeitas a stress hídrico, a adoção de variedades adequadas e o uso de
podas auxiliam na redução dos efeitos da falta de água.
Quanto às variedades de café em cultivo no Brasil, a
conilon, pertencente à espécie Coffea canephora, logicamente é a que se mostra
mais resistente à seca. Nas cultivares arábica, dentre as tradicionais se
destaca a Catuaí, pelo seu porte baixo e copa compacta, com mais tolerância a
stress hídrico. Nas cultivares novas são bem resistentes à seca a cultivar
Siriema, os Catucaís, Azulão (36/6 cv 366), Beija-Flor (36/6 cv 365) e o Japy
(19/8), além dos Acauãs em geral. Destaca-se, ainda, que estas cultivares são
também resistentes à ferrugem.
Quanto ao uso de podas, o efeito benéfico desta prática
ocorre pela redução da parte aérea das plantas de café, resultando em melhor
equilíbrio com seu sistema radicular. Assim, podas como decote, esqueletamento
e mesmo recepa melhoram muito o estado hídrico das plantas. Também, a renovação
da ramagem lateral pela poda, substituindo porçoes velhas e muito finas dos
ramos, por outras novas e mais curtas e grossas, melhora toda circulação de
água/nutrientes nos cafeeiros podados.
Na região de Bonito (BA), na Chapada Diamantina, onde ocorrem
déficits hídricos frequentes, os talhões de cafeeiros formados com as
cultivares Japy e Beija-Flor tem se comportado sempre com melhor enfolhamento e
boa produtividade, quando comparados com os demais. Também nessa região, que
exemplifica o que pode ocorrer nos diferentes ambientes cafeeiros com déficits
hídricos prejudiciais, a aplicação de decotes sucessivos a cada 2-3 anos,
reduzindo a altura das plantas, tem resultado em cafeeiros sempre mais
enfolhados, vigorosos e produtivos, com frutos bem granados e com maior
garantia de safra, apesar dos déficits.
O manejo de cafeeiros com copa mais reduzida significa,
deste modo, uma boa alternativa, juntamente com a utilização de variedades mais
tolerantes ao stress hídrico, para o manejo de cafezais em zonas com
deficiências no regime de chuvas.

